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MORTE - TEMPO
Isso, o que quer que você esteja fazendo agora, pode ser seu último ato neste mundo. Pode bem ser sua última batalha. Não há poder que garanta que você vai viver mais um minuto. Se você soubesse disso, seria um caçador. Se esta fosse sua última batalha na terra, eu diria que você é um idiota. Está desperdiçando seu último ato na terra em algum estado de espírito estúpido.
Não tem tempo, meu amigo. Nenhum de nós tem tempo.
Em vez de concordar comigo tão prontamente, o que você tem que fazer é agir a respeito Aceite o desafio. Modifique-se. A modificação a que me refiro nunca se dá aos poucos; acontece de repente. E você não se está preparando para esse ato repentino que trará uma modificação total.
Você não mudou nada. É por isso que pensa que está mudando aos poucos. No entanto, talvez um dia você se surpreenda, mudando de repente e sem qualquer aviso. Sei que isso é assim, e, dessa forma, não perco de vista meu interesse em convencê-lo.
O que recomendo que você faça é notar que não temos nenhuma garantia de que nossas vidas continuem indefinidamente. Acabei de dizer que a mudança vem de repente e inesperadamente, bem como a morte.
O que se pode fazer a respeito é viver o mais feliz possível. Há pessoas que tem muito cuidado com a natureza de seus atos. Sua felicidade é agir com a plena consciência de que não tem tempo, portanto seus atos têm um poder especial.
Os atos têm poder. Especialmente quando a pessoa que age sabe que aqueles atos são sua última batalha. Há uma estranha felicidade em se agir com pleno conhecimento de que o quer que se esteja fazendo pode bem ser o último ato sobre a terra. Recomendo que você considere sua vida e veja seus atos sob essa luz.
Você não tem tempo meu amigo. É essa a desgraça do ser humano. Nenhum de nós tem tempo suficiente, e sua continuidade não tem significado neste mundo assombroso e misterioso.
Sua continuidade só o torna tímido. Seus atos não podem ter discernimento, o poder, a força compulsiva que têm os atos de um homem que sabe que está travando sua última batalha na terra. Em outras palavras, sua continuidade não o torna feliz nem poderoso.
Mas nós todos vamos morrer. Há alguma coisa esperando por mim, por certo; e eu irei encontrá-la, por certo. Mas talvez você seja diferente e a morte não esteja esperando por você, de todo.
Concentre sua atenção no elo entre você e sua morte, sem remorsos, nem tristeza, nem preocupação. Focalize sua atenção no fato de que você não tem tempo e deixe que seus atos sigam de acordo. Deixe que cada um de seus atos seja sua última batalha na terra. Só nessas condições é que tais atos terão seu devido poder. Se não, eles serão, enquanto você viver, os atos de um homem tímido.
Não é tão terrível ser tímido se você vai ser imortal. Mas se você vai morrer, não há tempo para timidez, simplesmente porque esta o leva a agarrar-se a alguma coisa que só existe na imaginação. Acalma-o quando tudo está quieto, mas então o mundo assombroso e misterioso abre a boca para você, como a abrirá para todos nós, e nesse momento, compreenderá que seus métodos seguros não eram nada disso. Ser tímido impede que examinemos e exploremos nossa situação de homens.
Nossa morte está esperando e este mesmo ato que praticamos agora pode bem ser nossa última batalha na terra. Eu a chamo de batalha porque é um conflito. A maioria das pessoas passa de um ato a outro sem qualquer conflito, sem pensamento. Um caçador, ao contrário, avalia cada ato; e como tem um conhecimento íntimo de sua morte, procede sabiamente, como se cada ato fosse sua última batalha. Só um tolo deixaria de perceber a vantagem que um caçador leva sobre seus semelhantes. Um caçador dá à sua última batalha o devido respeito. É mais que natural que seu último ato na terra seja o que há de melhor nele. É agradável, assim. Amortece seu medo.
Você vai levar anos para convencer-se e depois levará anos para agir de acordo. Só espero que você tenha tempo para isso.
Esse mundo é fantástico. As forças que dirigem os homens são imprevisíveis, assombrosas; e, no entanto, o esplendor delas é uma coisa de se ver.
Enviado por Sandra Sofiati – 01.12.2011














