segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Poema de Natal



Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos-
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.



Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso pecisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.


Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.



Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participaçõ da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
nascemos, imensamente.

2 comentários:

Misturação - Ana Karla Tenório disse...

Poema muito bacana!
Parabéns pelo blog.
A seguir.
Xeros

PAKI disse...

Obrigada Ana Karia, volte sempre. Namastê!