quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Aonde é que eu ia mesmo?



Os mestres nos trazem ajudas de todas as formas e em todas as idades.
Vejam só esta crônica da Marta Medeiros.
Bem situada nos dias de hoje.

"Às vezes estou no meu quarto e penso: vou à sala buscar meus óculos.
Quando estou no corredor, já esqueci o que ia fazer na sala."


(Clique no título e leia mais.)



Uma vez escrevi uma crônica que se chamava "Coisa com coisa". Era sobre a minha vexaminosa tendência de trocar o nome das pessoas. Não apenas nomes de pessoas que mal conheço, mas também nomes de parentes. Parentes próximos, como filhos. Com o tempo, comecei a trocar também nomes de objetos, a me embaralhar com os verbos e a perder palavras que estavam na boca da língua. Desculpe, quis dizer na ponta da língua. Ou seja, passei a não dizer mais coisa com coisa.

Tenho comentado isso com alguns amigos, na esperança de que me olhem com piedade e me recomendem um bom médico, mas o que mais escuto é: "Comigo tem sido a mesma coisa". Pesquisei com conhecidos dos 19 aos 90 anos. Com todos tem sido assim. Alzheimer geral. Tem alguma coisa errada, e não é só comigo.

Li recentemente uma matéria que associa a falta de memória com a falta de sono. É uma teoria. Os especialistas entrevistados para a matéria recomendam que a gente não abra mão de dormir oito horas seguidas. Dizem que isso não é balela, que ajuda mesmo o cérebro a descansar e a retomar as tarefas do dia seguinte com funcionamento pleno. Maravilha. Oito horas de sono. Me explique como.

Eu apago a luz cedo. Antes da meia-noite. Às vezes às 22h30min. Tenho perdido o Saia Justa por causa disso. O Manhattan Connection. A minissérie Queridos Amigos. Meu sono está me emburrecendo, mas quando os olhos pesam, não há outra saída a não ser capitular. Desligo o abajur e apago junto na mesma hora. Só que às 4h da matina minha cabeça acorda sozinha! A cabeça, essa maldita. Ela então faz um apanhado geral dos problemas a serem resolvidos no dia seguinte. Na verdade, nem problemas são, mas durante a madrugada qualquer unha encravada vira um câncer terminal. Você sabe como é, a noite potencializa o drama. Então fico eu ali fritando nos lençóis, pensando, pensando. Verbo desgraçado: pensar.

Quando consigo pegar no sono de novo, o despertador faz o seu serviço: me desperta. Cedíssimo: hora de levar os filhos (o nome deles, mesmo?) ao colégio. Há quem tenha reunião no escritório. Outros, massagem. Outros precisam ir para a parada de ônibus.. Quem consegue hoje em dia dormir oito horas de sono cravado? Os milionários, e nem eles, eu acho.

Tampouco tenho sonhado. Não há sono suficiente para criar uma historinha com começo, meio e fim. Freud teria dificuldade em trabalhar hoje em dia: dorme-se pouco. E lembra-se menos ainda. Fim de era para o descanso e a memória. Do que eu estava falando mesmo?

A solução é mudar a rotina. Ver menos televisão. Ter menos obrigações. Morar em lugares mais silenciosos. Ter menos vida noturna. Menos compromissos. Menos agenda. Menos e-mails. Menos contatos profissionais, mais amigos. Menos trabalho, mais férias. Menos filhos: é difícil decorar dois nomes. Filho único é mais fácil. E deixar de frescura e pendurar logo aquele troço medonho que prende as hastes dos óculos ao nosso pescoço.

4 comentários:

PAKI disse...

Agradecemos a amiga Nita que mandou esse texto da Marta. A identificação foi total. Também sofremos desse mal. E lembrei de outra amiga, a Inês, que faz um troca-troca de letras que muito nos diverte. Namastê para elas.

Maria José disse...

Ana. Tem um selinho para você em meu blog. Boas festas, tenha um ótimo 2010, com muitas realizações pessoais e profissionais. Muita luz para você e todos os seus. Beijos.

Maria José disse...

Ana. Passou o Natal, e com ele, aquela sensação de acomodar num só dia o atraso de bondade e humanidade do ano inteiro.
Façamos diferente. Que possamos destilar um pouco desse espírito natalino em doses diárias no ano que se inicia.
Obrigada pela convivência maravilhosa em 2009. Que esta amizade seja renovada em 2010. Beijos.

PAKI disse...

Querida Maria José, obrigada pelo selo. Que nosso 2010 seja mais amoroso que 2009. Quero sim ampliar nossa convivência e amizade. Obrigada por sua bondade e alegria. Bjs