segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Quem sabe não perdoa

O homem aproximou-se do espinheiro. Ergueu a mão para tocá-lo e um "ai!" de dor brotou de seus lábios. Um rubi de sangue brilhou no seu dedo. O homem limpou o sangue e disse fitando o espinheiro:- Eu te perdôo! Admirei e louvei dentro de mim aquele homem que possuía o doce dom de perdoar.E aconteceu que veio outro homem. Parou junto ao espinheiro, ergueu a mão para tocá-lo, e o espinho o picou. Mas o homem limpou em silêncio a ferida, contemplou com amor o espinheiro, e não disse "Eu te perdôo!".Tive, então, este pensamento:- O primeiro homem era um santo: sabia perdoar! Este outro não sabe!.Mas o meu Senhor, interrompendo a minha cisma, disse:- Quem não sabe é você!- Como, Senhor? Então aquele homem...- Sim, é um santo, porque perdoou quando foi preciso!- E o segundo?- É mais santo ainda, porque não tem necessidade de perdoar.E como eu ficasse perplexo, com o olhar perdido na incompreensão e na dúvida, o Senhor me disse:- O espinheiro fere, porque é espinheiro. Ainda que ele quisesse jamais poderia perfumar. O primeiro homem sentiu a dor da picada, e como não sabia nada, atribuiu a culpa ao espinheiro. Mas, como era puro de coração, perdoou. O outro homem sentiu a mesma dor, mas como sabia que todo espinheiro fere, pois o espinheiro é assim, não se sentiu ofendido. E como nada tinha a perdoar, não perdoou.Desde então sofro menos quando os espinhos me ferem. Dói-me na alma a ferida, mas minha alma sabe que não há ofensa. E como não há ofensa, não há perdão.É assim que do meu peito brota um piedoso amor pelo espinho que não chegou a ser flor. Meu sofrimento se transforma em ternura porque já aprendi a não perdoar! http://www.netmarkt.com.br/mensagens2003/2006.html

2 comentários:

AMRITA PAKI disse...

Minha irmã me mandou essa parábola por email e eu pesquisei na internet e encontrei esse endereço. Agradeço ao Santiago Arquello por essa pérola.

Maria José disse...

Lindo. Devemos aplicar esse ensinamento na nossa vida diária. Beijos.